Meus livros!

05 outubro 2010

E por falar em amor...

Li em algum lugar que o conceito de amor foi reformulado ao longo dos séculos. Pensei: claro, cada pessoa tem seu jeito de ver as coisas. Eu, por exemplo, desde criança achei que namoro era mais uma questão de amizade, afinidade ou mesmo comodismo; talvez a vontade de exibir alguém por aí. Casamento, definitivamente, nunca aprovei.
Pode ser um resultado da minha criação, já que minha mãe e meu pai nunca se entenderam e ficaram juntos por falta de coragem e opção. Não fui um garoto que se apaixonou pela professora, pela prima ou pela melhor amiga. Não. Diante dos outros caras, eu até questionava minha dificuldade de gostar de alguém; seria frieza? Então, sempre fiquei por ficar...
Certa tarde, saí do trabalho mais cedo. Sentia cansaço e os livros que levava comigo pesavam duas vezes mais que o peso real. Ajeitei minha pasta e resolvi sentar na praça. Não sei o que me levou a ficar ali. Sou muito irrequieto para apreciar uma tarde de sol sob as copas de uma quaresmeira. Mas nem sempre a gente faz o que acha que é parte da nossa natureza. E comportamento é uma coisa que muda, concorda?
Aparentemente era um dia como outro qualquer. Aquela rotina de quem trabalha e estuda e volta para um apartamento vazio tarde da noite. Sou do interior e vim para a capital de Minas quando passei no vestibular.
A minha cabeça estava cheia, pensava nas provas da semana seguinte. Carregava aqueles cinco livros desde o fim de semana passado e ainda não dominava nem um terço do conteúdo necessário para ser aprovado nas disciplinas. Faltava um semestre para concluir o curso de Direito. Eu ganhava bem como vendedor em uma empresa de informática, só que pretendia advogar e aprendi que se a gente não corre atrás do que quer, acaba perdendo a motivação pra viver.
Em alguns minutos, observei gente de todo o tipo. Idosos, crianças, namorados, pessoas certamente fazendo cooper por ordem médica, mulheres correndo para manter a forma. E foi acompanhando o voo das abelhas entre as flores, algo poético demais para um cara seco como eu, que a vi.
Estava sozinha. Também carregava uma pilha de livros. O cabelo castanho e ondulado preso num rabo de cavalo. Corpo esguio, calça jeans cinza, blusa e tênis azul. Ela parou para pegar um pedaço de papel dentro do último livro, olhou de um lado e do outro como quem procura um endereço.
Parecia em dúvida. Distraiu-se e acabou por tropeçar. Os livros foram parar longe. Obedeci a um impulso quando me levantei do banco de cimento e venci a distância entre nós. De repente, ajudá-la era só o que importava naquele momento.
Ela me olhou agradecida quando estendi a mão para que se levantasse. Rasgou a calça no joelho. Vi que sentia dor. Quase da minha altura, os olhos pretos como os meus e a pele num tom moreno mais claro.
Amigável, sorriu. Um sorriso lindo e luminoso. Explicou que procurava um cursinho pré-vestibular. Por coincidência, ficava em frente à faculdade onde eu estudava. Eu a acompanhei até o ponto de ônibus. Quando nos despedimos, percebi que lembrava cada detalhe de seu rosto, no entanto, não sabia seu nome. Não pedi um telefone. Não fiz um gesto para conhecê-la melhor.
Frustrado, fui para a faculdade. Não ouvi a aula, porque pensava na moça. Como a vida tem seus próprios planos, nos encontramos dois dias depois, porque decidimos atravessar a mesma rua, no mesmo instante. Seu nome, Camila. O meu, Fernando.
Não posso dizer que acreditava em amor à primeira vista. Mas que senti alguma coisa desde o primeiro olhar, ah, senti... percebi que quando me levantei daquele banco para ajudá-la, fiz uma escolha.
Escolhas como as que fazemos todos os dias. Poderia permanecer indiferente, ficar na minha como em inúmeras situações. Se tivesse escolhido a primeira opção, talvez nunca conhecesse o amor da minha vida. Amanhã completamos um ano de namoro. O dia? 12 de junho!
O que posso dizer? Sou outro homem. E estou feliz. Feliz porque meus planos já não são apenas profissionais. Tenho alguém que me espera em algum lugar. Alguém que reformulou meus conceitos e me fez conhecer um lado da vida que nunca imaginei possível.
Agora sei o que é sonhar, esperar e sentir juntos. Agora entendo a pressa de atender o telefone, o prazer de andar de mãos dadas, a vontade de descobrir, querer e realizar mais. Fernando Pessoa já dizia: “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar...”
Conheço o sentimento do poeta, porque minha vida é infinitamente melhor com você!

7 comentários:

  1. Que lindo, Bruna!

    Tão bonito quando uma pessoa sem fé no amor tem uma segunda chance e aprende (reaprende) a sonhar. Conheço alguém assim.

    Como no momento oportuno podemos perder a grande chance de nossa vida! Penso que temos de vencer a timidez, o constrangimento e ter ação, mesmo que simples, como uma ligação (ain) ou a do Fernando. Ajudar alguém, que pode se tornar o amor de sua vida, ou ama grande amizade.
    Ah, Por falar em amor... está na minha saga^^

    Bjs!
    Aline

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  2. Que lindo texto amiga! Um amor que chegou sem pedir ordem ou permissão, lindo demais!

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  3. Lindo demais!!! Isso é oq todos querem!!!

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  4. Como sempre um texto lindo!
    O Amor é o sentimento que mais influencia em uma pessoa, pode fazer com que ela caia definitivamente ou encontre forças para recomeçar.
    Parabéns pelo texto!
    Beijos

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  5. Muito lindo o texto - adorei!

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  6. O amor nos ensina a acreditar nele, mesmo quando a realidade nos diz o contrário.
    Beijos

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  7. professor freire10/11/2010

    Que lindo, o universo conspira a favor do amor. Que texto profundo, a sequencia facil, leve, me leva a ver a cena. parabens Bruna

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