Meus livros!

26 outubro 2010

O Vale da Liberdade



Enquanto os exemplares da nova edição não chegam, vou postar o prólogo do livro, para que possam conhecê-lo melhor.

Quer ler o prefácio da escritora Aline Negosseki Teixeira, no site Leituras & Devaneios? Clique aqui!

Prólogo
Interior da Província do Rio de Janeiro, 1862

Os dois meninos corriam na relva verde da Região de Alto Pilar. Ao longe podia-se avistar a extensão de um canavial, onde os escravos — homens, mulheres e crianças sem nenhuma assistência, trabalhavam incansavelmente sob os olhares severos e o relho impiedoso do feitor Matias, pau-mandado do temido Coronel Inácio.
A menina parou no alto da montanha e observou com tristeza a cena lamentável. Era como se a visão daquela gente maltratada e sofrida tirasse-lhe a alegria de brincar.
— O que foi, Celi?
— Ora, Pedro... então não vês?!
Fez-se um longo silêncio — Sabes como me sinto a respeito, mas nada posso fazer, crianças não palpitam em assuntos de adulto e meu pai nem ao menos ouve o que tenho a dizer.
— Eu sei...
— Mas não vai ser sempre assim, hei de crescer e um dia poderei libertar toda essa gente. Nós dois faremos uma grande celebração e darei a este vale o nome de liberdade.
— Podes mesmo dar nome a um vale?
— Não sei, mas vamos arriscar!
— Bem, Padre Miguel diz que tudo é possível se existe a intenção.
— Viu? Não há limites para os sonhos!
Celi sorriu e Pedro devolveu o sorriso, mas a menina pareceu refletir e novamente sua expressão se entristeceu — Vais te esquecer de mim...
— Nunca. Seremos amigos por toda a vida.
— Não, vais para a Capital estudar, terás novos amigos no colégio, serás um doutor. Meu pai disse que pessoas como nós pertencem a mundos diferentes. Distantes como a areia e as estrelas...
Ouça bem, Celi, já tenho treze anos e entendo das coisas da vida! Quando eu voltar, seremos tão amigos quanto o somos agora. É uma promessa! — Pedro então tirou do dedo o anel que o pai lhe trouxe do Sul em sua última viagem e o colocou nas mãos de Celi — Guarda-o contigo, é para que te lembres de mim.
Admirada, a pequena fitou o aro dourado a sustentar o rubi de que Pedro falava com tanto orgulho — Não posso. Sei o quanto gostas dele.
— Faço questão, assim, de certa forma, estarei junto de ti.
Passos se fizeram ouvir e os dois se entreolharam assustados, mas logo, o negro Liá se aproximou esbaforido — Minino, vosso pai tá aflito, tão lhe esperando pra viage faz pra mais de hora!
Pedro abraçou Celi e a fxou com atenção. A menina de cabelos castanhos e ondulados, tinha agora lágrimas nos olhos azuis.
Aquela expressão o acompanhou e, ao lado de Liá, seguiu para a sede da Fazenda do Pilar, olhando para trás diversas vezes, até que a visão de Celi não lhe fosse mais possível.
O sinhozinho sabe que vosso pai num gosta que ande com a filha do marcenero...
— Não me importo com o que meu pai pensa de Celi, somos amigos.
Apesar de manter-se calado, Liá não pôde evitar um sorriso, Pedro em nada se parecia com o pai e não podia entender como um menino tão bom, pudesse ser filho de uma criatura tão malvada.

11 comentários:

  1. Deu para ler um pouquinho do seu romance histórico, Bruna. O livro deve ser muito bom mesmo. Parabéns!! Um lindo dia para você, beijos :)

    ResponderExcluir
  2. Estamos com uma nova proposta em nosso Blog.
    Desta vez queremos a sua ajuda para a construção de um Conto Coletivo.
    Venha participar, sua ajuda será fundamental para que a estória tenha sequência.
    Um abraço carinhoso

    ResponderExcluir
  3. Anônimo10/26/2010

    Gostei, adoro romance histórico, nos leva a uma realidade imaginaria, mas com fundo de realidade.

    ResponderExcluir
  4. Ao que fofa essa história ^^ Fico aqui pensando agora que o menino vai voltar e não vai mais se importar com a garota >.< Quero ler esse livro \o/

    ResponderExcluir
  5. A história parce ser muito boa!!!

    http://conversandocomdragoes.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  6. Já estou curioso para conhecer o resto da história!
    Quando os exemplares chegarem quero o meu!
    Parabens Bruna,
    seus trabalhos são sempre ótimos.

    ResponderExcluir
  7. Muito lindo.
    Também estou escrevendo um romance abolicionista.
    Reserve o meu exemplar!
    Um beijo e todo sucesso do mundo!!!

    ResponderExcluir
  8. Oi Bruna, tudo bem?

    Queremos convidar você para este desafio:

    Me convenca com 3 frases porque devo ler este livro?

    Ai vc diz o livro, o nome do autor e as 3 frases.

    Manda uma foto sua e o link do teu blog.

    Nada mais. Mas por favor, nos mande o quanto antes porque estamos programando tudo para entrar em dezembro.

    Por isso, decidimos fazer algo relâmpago neste mês super agitado.

    Estamos contando com sua dica.

    elasestaolendo@gmail.com

    Obrigada as editoras do blog

    Flavia e Georgia

    ResponderExcluir
  9. Olá.
    Hoje venho aqui para te convidar para participar do amigo oculto do Mix.
    Passa lá:
    http://www.mixculturainformacaoearte.com/2010/11/amigo-oculto-de-livros-segundo-ano.html
    Te espero!

    ResponderExcluir
  10. Linda história...
    Adorei... Vou estar aguardando o resto...
    Um grande abraço do amigo

    Carlúcio Bicudo

    ResponderExcluir
  11. A história é muito forte, e o romance super fofo, mas ao mesmo tempo sutil e inocente.

    Adorei, Bruna! Ta ótimo!

    Felipe Saraiva,
    do Blog ↨BIBLIOTECA FSAB↨ (http://bibliotecafelipes.blogspot.com)

    ResponderExcluir

Comente aqui, vou adorar trocar opinião!