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09 dezembro 2010

Mensagem de Natal



"O tempo é algo que não volta atrás. Por isso plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores." William Shakespeare

Violeta
Violeta esperou tempo demais. Tanto que quase perdeu a esperança de encontrar um companheiro. Quase...

Dia e noite, noite e dia, a jovem bruxa debruçava-se na janela de seu chalé na montanha e contemplava a estrada. Conhecia a textura da terra vermelha quando seca, molhada ou mesmo em poeira. Decorou o desenho das margens, a copa de cada árvore nas laterais. Ali viu passar andantes, cantadores, caixeiros, animaizinhos da floresta, gnomos, fadas e uma infinidade de bruxas do mal e do bem, mas nada de chegar seu bruxo: o par perfeito para partilhar a vassoura.

E olha que viu sua chegada na bola de cristal já fazia alguns anos e nada! E por mais que a razão dissesse não, ele haveria de chegar. Haveria sim!

Os irmãos caçoavam. O pai desacreditava. A mãe e a tia tentavam incentivá-la e diziam para ser persistente:

— Ah, Violeta, um encontro de almas destinadas, ninguém pode impedir. Somos bruxas, sua intuição dirá quando chegar a hora.

Sim, ela era uma bruxa, uma bruxa atrapalhada, fera em errar feitiços, em se enfiar em situações constrangedoras, foi assim que beijou alguns sapos em vão e até um lobo sem sucesso. Bruxo que é bom, nadinha. Mas criaturas do bem não podem trapacear o destino, nem interferir na escolha de cada um. Assim, o jeito era continuar exercitando a espera.

Certa tarde, na véspera do natal, a mãe de Violeta pediu que preparasse uma torta de framboesa para a festa das abelhas que acontecia todos os dezembros. Acabava de tirar a torta do forno, quando bateram em sua porta. Colocou a guloseima na mesa e voou até a maçaneta, pensando se tratar do irmão que foi buscar lenha para alimentar o fogão. No entanto, para sua surpresa, era um idoso sujo e maltrapilho que, encurvado e apoiado num cajado, pediu:

— Filha, estou com muita fome e, enquanto percorria os arredores, senti um aroma delicioso vindo de seu lar... se puder me dar de comer, ficarei imensamente grato.

Violeta o fixou com curiosidade. Ele tinha uma aparência medonha e um odor nada agradável, mas, de alguma forma, não lhe causava medo. Embora o pai proibisse a entrada de estranhos, pois sempre temia presenças sobrenaturais maléficas, não teve coragem de negar alimento para o velhinho.

— Claro, pode entrar. Vou te servir um pedaço de torta. — Ai, pensou, quando sua mãe soubesse..., mas fazer o quê? Naquele momento, o velhinho precisava mais da torta do que as abelhas.

Conversaram por alguns minutos. Depois de comer dois pedaços de torta e beber um copo de leite, o ancião perguntou:

— Meu cão me aguarda lá fora e está com muita fome também, teria algo para ele?

Violeta passou a mão pela túnica branca, ajeitou os cabelos pretos e longos e respondeu com um lindo sorriso:

— Adoro cães. Vou levar um pouco de leite.

O ancião sorriu de volta, revelando a ausência completa de dentes. Assim que deixaram o interior do chalé, Violeta viu um cãozinho frágil e pequeno deitado sobre o que deveria ser a trouxa do velhinho. Estava imundo, compadecida, abaixou-se e, murmurando palavras carinhosas, brincou com suas orelhas, colocando a tigela de leite em sua frente. Contudo, para seu espanto, quando ele se levantou, se transformou num lindo homem. Alto e forte, com cabelos tão pretos quanto os seus e olhos que fizeram seu coração acelerar.

O velho também se transformou. Era agora um atraente senhor de meia-idade:

— Violeta, quero te apresentar Tales, meu único filho. Viemos de longe para conhecê-la, mas primeiro, desculpe-nos, precisávamos conhecer sua generosidade.

E a jovem entendeu. Aquele era o bruxo que viu na bola de cristal ainda menina. Sua alma gêmea. A bruxinha volitou por alguns instantes. Quando voltou para o chão, Tales segurou suas mãos. Uma energia forte invadiu seu corpo. A sensação era a de ter o céu dentro do peito, ainda que por um instante.

Só encontramos o que buscamos, quando seguimos o coração e levamos nossos sonhos adiante. Existem mundos no mundo e, dentro de nós, uma infinidade de escolhas. As provas não são fáceis e, atrás de uma aparência frágil, nada agradável ou bela, pode se esconder algo muito especial. O importante é nunca duvidar da magia que envolve nossa existência.



7 comentários:

  1. Lindo, lindo e lindo.
    Bela fábula, e belamente escrita.
    Vc é tremendamente boa com as fábulas^^

    É verdade que muita gente espera, também, o príncipe encantado que seja perfeito (bonito, inteligente, amoroso e, ainda, melhor se for rico) mas não se preocupa que tipo de ''princesa encantada'' é/será para alguém...

    bjs Aline

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  2. Oi! Tem selo pra você no meu blog!
    http://hellenstuffs.blogspot.com/
    Beijos
    H.C.C.Reis

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  3. Oi Bruna!! Que msg linda! Adorei!
    Estou passando para avisar que finalmente saiu a resenha do seu livro lá no blog. Desculpe a demora, fiz várias parcerias ao mesmo tempo e acabei demorando para conseguir ler todos os livros. Adorei Centúrias! Espero que vc continue escrevendo livros do tipo! :) Bjss!

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  4. Lindo Bruna!
    Adorei a mensagem, e o começo me lembrou muito Centurias!
    Seus textos em geral são cheios de magia e luz!
    Parabéns!

    Beijos

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  5. Olá, Bruna!
    Para início de conversa, obrigada pela força, viu? Fiquei muito feliz de te ver no meu blog!

    Quanto à história, adorei o estilo, literalmente encantadora... Rsrsrs.

    Um ótimo Natal para você, cheio de magia e harmonia(em letras garrafais)!

    Beijos

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  6. Oi amiga!!!!

    Texto lindo, como tudo o que você escreve, pois é com carinho...

    Feliz Natal e muitas novas realizações, saúde, paz e felicidade!

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  7. Um belo conto muito bem elaborado e escrito Parabens minha amiga um abraço e um 2011 DEZ!

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